Platão já dizia: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.” Esse é um princípio basilar, em cima do qual construo hoje essa narrativa sobre a tão achincalhada, e mal vista, “Senhora da cidade-Estado”. Deixo claro aqui que concordo com Aristóteles, quando diz que “ela é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na pólis) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis)”.
Bom, deixando os gregos de lado, e falando sobre aquilo que nos trouxe até esse ponto, vamos direto ao assunto – os mandatários brasileiros. Para quem não sabe, o léxico da Língua Portuguesa assim os define: “aquele que recebe mandato ou procuração para agir em nome de outro”, sendo esse outro o cidadão que lhe outorgou tal prerrogativa através do voto, confiando que teria seus direitos e deveres individuais (e coletivos) assegurados. Contudo, a história recente nos mostra que esse não é um “Silogismo perfeito” devido a ineficiência e inabilidade de tantos que já ocuparam os cargos de governança no país, seja na instância municipal, estadual ou federal.
Por esse motivo, formulei uma proposta, no mínimo, ousada que aqui apresento publicamente – para alguém ter direito ao título acadêmico de Mestre ou Doutor, necessário é que, antes de tudo, apresente a comprovação de um curso de graduação concluído. De igual maneira, para um Especialista essa é a mesma condição sine qua non. Que bom seria se aos Prefeitos fosse exigido, como pré-requisito à investidura do cargo, formação em Ética e Administração Pública, que desse sustentação ao tripé – Educação, Saúde e Segurança – base da Justiça Social.
Da mesma forma, para chegar à Governadoria do Estado, deveria o candidato à mandatário apresentar a expertise necessária, fruto senão de uma formação (ainda inexistente nas cátedras), de uma exitosa gestão na municipalidade para só então, depois de percorrida essa trajetória hercúlea, postular seu nome ao mais alto posto de comando do país – a Presidência da República. Apesar de parecer mero preciosismo acadêmico, há muito mais de verdade por trás disso do que se possa imaginar.
Em um país que tem 26 estados (além do Distrito Federal) e conta hoje com mais de 5.000 municípios, como se pode imaginar um mandatário que não conheça os caminhos da municipalidade, ou as peculiaridades dos estados – Minas, por exemplo, que tem 853 municípios é do tamanho da Espanha – de tal forma a assegurar a “felicidade na Pólis”, defendida por Aristóteles?
O fato é que, enquanto continuarmos vendo a Política como um corpo estranho, e abjeto em nossas vidas, continuarão surgindo figuras cada vez mais exóticas e descompromissadas com o bem comum, escondidas no estereótipo do “bom burguês”, ou do “proletário revoltado”, do “intelectual”, ou do “analfabeto funcional”. Quem sabe até, de um “comediante”? Diz um dito popular que “é o olho do dono que engorda o gado”, nesse caso, é a participação social (que vai além do CONFIRMA) que pode garantir menos oportunistas, e mais mandatários graduados e pós-graduados em ÉTICA e COMPROMISSO PÚBLICO, aptos a garantir a qualidade de vida, e a Justiça Social em nosso país.