O filósofo francês, Edgar Morin, afirmou certa vez que “A educação deve ser um despertar para a filosofia, para a literatura, para a música, para as artes. É isso que preenche a vida. Esse é o seu verdadeiro papel.”. Considerando que, apesar de todas as tentativas, a Educação Básica Brasileira ainda vive compartimentada em caixas estanques, que não se comunicam, essa afirmação torna-se mais atual do que nunca, especialmente no mês em que se celebra os 100 anos da Semana de Arte Moderna no Brasil.
E por falar nisso, a progressista Manchester Mineira foi revisitada nos últimos dias por uma intervenção artística que ocupou o coração da cidade, com a instalação de uma “Praia” em sua principal rua. Há muito não se via um debate tão acalorado sobre o “valor” da Arte (como se possível fosse contabilizá-lo em moeda corrente), o que teria sido muito bom, se ele não tivesse sido contaminado pelo azedume da política partidária, em detrimento da oportunidade de construção de uma narrativa pedagógica, que explicasse à sociedade a importância do Movimento Modernista, enquanto vanguarda e ruptura, na Semana de 22.
Em Juiz de Fora a destacada, e necessária, aproximação entre Arte e Educação prenunciada por Morin, já acontece (em especial) na Rede Municipal de Ensino – Salve Professor Cristiano Fernandes – e vai muito além da espetacularização de datas comemorativas nas escolas. Ao contrário disso, baseia-se no diálogo entre os saberes – da Matemática conversando com o ritmo das notas musicais, da Física explicando o equilíbrio da acrobata na malha circense, da Geografia mapeando os coletivos culturais das comunidades, em um serpentear de ressignificações que atravessa os eixos da Educação Escolar, formando a transdisciplinariedade sobre a qual o filósofo francês já falava.
Rubem Alves fala em uma de suas crônicas que existem Escolas que são gaiolas, e Escolas que são asas – “Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar.” E é através da Arte, em suas múltiplas expressões e linguagens – não apenas aquela erudita e elitista, mas também, e principalmente, a coloquial e popular – que nossos pequenos pássaros encontrarão liberdade e autonomia para experimentar seu voo.
Que a chegada da “Praia” à terra de Murilo Mendes e Pedro Nava possa ter deixado um legado vanguardista em suas “Escolas de Asas”, onde Arte e Educação caminham juntas, e são o combustível para que crianças e jovens possam se tornar indivíduos socialmente éticos, por saberem reconhecer a imanência da Identidade e da Cor Local do outro, bem como esteticamente civilizados, por entenderem que “bonito – feio, bom – mau, próprio – impróprio” são construções subjetivas que, portanto, não podem ser usadas para definir ou mensurar a qualidade (ou a pertinência) de uma obra ou expressão artística. Que seja, assim, a Princesa de Minas cada vez mais pródiga para o surgimento dessas intervenções, que resgatam o espirito pioneiro e inovador que já marcou sua história.