Panegírico à Teoria da Comunicação de Roman Jakobson

Segundo Roman Jakobson, famoso Linguista Russo, considerado o pai da Teoria da Comunicação, todo ato comunicacional pressupõe uma intenção, um objetivo, seja ele realizado através da fala, da escrita ou do gestual, portanto, aquela velha máxima “falei por falar” está peremptoriamente derrubada.

Não, esse também não é um revival das aulas de Linguística da Professora Doutora Maria Margarida Martins Salomão, a quem reverencio, bem como aos Mestres da Linguística que marcaram minha formação – salve Professor Mário Roberto Lobuglio Zágari. Outrossim, essa é uma experimentação textual baseada no empirismo de um professor-autor, que escreve e confidencia suas ideias através de textículos.

Desde a época em que as mensagens das missivas eram transportadas nas asas dos pombos-correio, passando pelos avanços das Telecomunicações com Alexander Grahan Bell (quem não se lembra do Disque-Amizade – 145), chegando aos recursos da Telemática, em seus primórdios com as Short Message Service (SMS), passando pelo ICQ (I Seek You), até o contato em tempo real através do WhatsApp, o princípio continua o mesmo – um emissor que transmite a um receptor (previamente escolhido), uma mensagem para a qual espera uma resposta (sendo que a interpretação equivocada da mensagem – chamada ruído – já são respostas esperadas), mas nunca a ausência dela.

Mark Zuckerberg veio dar um upgrade nesse esquema Comunicacional através das Redes Sociais, como o Facebook (herdeiro do Orkut) e hoje o Instagram que virou febre planetária, enquanto ferramenta de comunicação e de negócios, com a monetização do prosaico e da futilidade, onde um anônimo deita e dorme desconhecido, e amanhece celebridade com milhões de seguidores (e de Reais ou Dólares em sua conta). Ainda assim, o princípio é o mesmo proposto por Jakobson. Mais, e daí Professor?

Bom, como já bem dizia o Linguista Russo, ninguém escreve sem uma motivação, ou ainda, todo mundo escreve para ser lido (e comentado), é uma necessidade intrínseca ao Ser Humano, portanto, em um mundo onde vivemos logados nas Redes, onde os Posts e os Directs viraram quase que uma Sessão de Terapia de Grupo, o mínimo que se espera é que o destinatário, aquele a quem foi endereçada a mensagem, a leia, ainda que não goste ou não a aprove.

Ocorre que esse mundo Telemático trouxe, junto com a facilidade da comunicação global em tempo real, uma disruptura no processo comunicacional – o Like – aquele sinalzinho gráfico que deveria representar a compreensão da mensagem, ou mesmo sua aprovação. Só que, na prática, não funciona bem assim.

Seja pela velocidade da informação, que faz com que recebamos várias mensagens simultâneas, sejam pelas atribulações de nosso dia-a-dia que tornam seletivas as leituras, ou mesmo pela falta de hábito, que torna um texto com mais de três linhas cansativo e extenuante, o fato é que esse ato de “aprovação” virou uma convenção social, mas que fere o princípio de qualquer ato comunicacional – ser recebido (compreendido, talvez).

Para além de uma questão metodológica e linguística, essa prática infame se popularizou ainda mais nos tempos de isolamento da Pandemia – onde se passou mais tempo nas Redes – o que não significa dizer que fomos mais atenciosos e empáticos com nossos correlatos virtuais, que, certamente, passaram, tal como nós, momentos de angústia, depressão e até regozijo (porque não), acreditando que estavam compartilhando suas agruras e vitórias com seus pares.

Imagine você que esse textículo que estou construindo, fosse uma carta-testamento, ou uma carta-suicida, e que eu fosse declarar minha intenção fatal apenas neste instante, no nono parágrafo da segunda lauda. Certamente meu ato derradeiro somente seria descoberto depois que minhas carnes fedessem, e o mau cheiro incomodasse os vizinhos. E isso aconteceria porque meus diletos leitores apressados, antes mesmo de terminar a leitura  do intróito dessa narrativa, já teriam se desobrigado da sua função social. me parabenizando com um Like.

Isso é o que acontece, via de regra, em nossas relações sociais que passaram a ser baseadas em Likes, Dislikes, Follows e Unfollows, porém, para além da construção ou término dos relacionamentos virtuais, mais do que nunca perdemos a capacidade de ouvir (mesmo que seja com os olhos, através da leitura) aquilo que o outro tem para nos dizer – o que considero um retrocesso, uma sequela nociva que os avanços Telemáticos trouxeram para as relações humanas, baseadas na Comunicação.

Se você foi um Leitor-Destinatário corajoso, e que chegou até o final desse textículo – Parabéns – mesmo que considere que tudo que escrevi não passou de verborragia mental. Contudo, acredito que esse Panegírico às Relações Comunicacionais que foi aqui produzido, receberá centenas de Likes de meus fieis seguidores sem, contudo, um ao menos ter completado a reflexão necessária sobre o seu papel no Processo de Comunicação Humana, mais uma vez!

Professor Sérgio Soares

Um comentário sobre “Panegírico à Teoria da Comunicação de Roman Jakobson

  1. Amigo Serginho
    Li seu texticulo até o fim, ou seja, início meio e fim.
    Gostei muito, espero que vc no ” time” da periocidade não demore tanto tempo, pois no meu ponto de vista, vc está bem inspirado. Foco, força e garra ( fé) pois vale a pena. Forte abraço

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