Sobre Idiotas e Políticos

Dias atrás, recebi de uma amiga um vídeo do Mário Sérgio Cortella onde, para apresentar seu livro “Política para não ser Idiota”, resgatava na Grécia Antiga o sentido etimológico de uma e outra palavra. Ao assistir, não pude deixar de lembrar das aulas de Filologia Românica do grande Mestre, Doutor Mário Roberto Lobúglio Zágari, que me ensinou que as palavras são carregadas de historicidade, por isso mutáveis no correr dos tempos. Portanto, você deve estar achando que irei tratar aqui dos políticos idiotas de nosso país, correto? Só que não.

Mário Sérgio explica que na Grécia Antiga Idiota (idiótes) era todo aquele indivíduo que não participava da vida da Pólis, que só se preocupava com si mesmo, olhando para o próprio umbigo. Ao contrário, Político (politikos) era aquele cidadão que participava e se preocupava com a vida na Pólis, colocando os interesses do coletivo, acima dos seus individuais. Como devia ser bom morar na Grécia Antiga, onde ainda deviam existir mais Políticos, do que Idiotas!

Mas ainda há esperança, pois podemos encontrar na história recente da República de nosso país, exemplos de cidadãos que souberam cuidar das coisas do povo, antes das suas próprias, e sem querer parecer bairrista, Minas Gerais foi um berço fértil dessa espécie incomum de figuras públicas. Poderia aqui enumerar várias, mas prefiro me ater a uma, em especial, com a qual tive a honra de interagir por mais de uma vez, na condição de Chefe de Cerimonial Público, que foi o nosso Eterno Presidente, Itamar Franco.

Itamar Augusto Gautiero Franco, junto com seu Bando de Sonhadores, fez parte de uma geração de políticos (na acepção grega da palavra), que souberam cuidar da Pólis, que trataram a coisa pública como o bem mais precioso, e que não exitaram, um segundo sequer, em colocar em segundo plano os próprios interesses em prol da democracia e do bem comum, por isso foram grandes artífices da mudança na história de uma Cidade, de um Estado e de nosso País.

O Brasil sofre hoje com a falta de outros “Itamar” e de seu “Bando”, pois vivemos uma crise de Idiotice generalizada dentre nossos Edis, Deputados e Senadores, e também entre os governantes (cumprindo pena ou em liberdade), que corruptíveis e prevaricantes, conseguiram deturpar o sentido lato da palavra Político, corrompendo-a em sinônimo de ilegalidade e falta de cuidado com o povo. E o nosso maior exemplo disso hoje ainda é, certamente, Brasília, que virou um celeiro fértil de Idiotas (sempre acreditei que toda generalização é burra, por isso ainda penso que existam sim Políticos de verdade lá pelas bandas do Planalto Central).

Importante lembrar que esses Idiotas, travestidos de políticos, ainda conseguiram a façanha de se organizar em categorias, muito bem definidas, que passamos a enumerar agora: o primeiro, Idiota convicto, que entra para a vida pública com o único interesse de $e dar bem; o outro, o Idiota Douto, que acha que um diploma é o bastante para fazer dele um Político e ainda mais um, o Idiota Experiente, aquele que entra para a vida pública ostentando a marca de homem de sucesso, mas que não sabe que se dar bem na política é bem mais difícil do que se tornar bem sucedido no mundo dos negócios.

O que eles todos não conseguiram entender ainda é que fazer política é um exercício diuturno de negociação, como em qualquer relacionamento em que exista mais de uma pessoa, onde em prol do bem comum, muitas vezes um cede, em outras todas perdem, mas sempre com a visão de que, ganhando ou perdendo, o mais importante é a garantia do bem-estar da coletividade. E como não entendem, é bem mais fácil fazer o jogo do quanto pior melhor, desacreditando as instituições e o país, ou criticando um Presidente que traz como marca de sua singularidade, ser um homem prosaico – que não é refinado, nem erudito, mas também não tenta esconder isso atrás de uma máscara marketeada.

Como bom brasileiro que sou não perco a fé e a esperança, e por isso creio que ainda verei nessa vida, nascerem dentro das novas gerações herdeiros de Itamar, de JK, de Tancredo e de tantos outros notáveis Políticos brasileiros, que banirão da nossa sociedade esse bando de Idiotas, e cuidarão de nossas Pólis, tão bem quanto os gregos cuidaram das suas. Por um Brasil com menos Idiótes, e mais Politikos!

(Graças a Deus, não sou um Idiota!)

Professor Sérgio Soares

Deixe um comentário