Querenças

Quisera eu ser um anjo, de asas brancas, para poder voar, voar sem nunca mais ter que voltar ao ponto de partida.

Quisera eu ser um sonho, um sonho belo e vivo, onde todas as tristezas seriam extintas, e nada mais me faria sofrer, chorar ou gritar.

Quisera eu ser o outro, para que não mais tivesse que dividir, contemporizar ou perdoar, pois se o outro sou eu, nós dois somos um só, portanto não existiriam mais motivos para disputas ou discussões.

Quisera eu aprender o sentido da vida, e assim entender os “porquês” do amor e da dor, da mágoa e do perdão, da felicidade e da solidão.

Quisera eu poder começar tudo de novo, mas começar um novo, com a sabedoria que o velho me concedeu.

Quisera eu entender o sentido mais profundo do amor, mas não daquele amor de carne, nem tampouco de parente, e sim do sentimento mais visceral que ensina que o primeiro santo mandamento é o “Ame-SE a si mesmo”, com a partícula reflexiva em destaque, e revoguem-se as disposições em contrário.

Quisera eu ser um heterônimo de mim mesmo, para que a cada dia eu pudesse escrever um novo capítulo da minha história, sem ter que me preocupar com a continuidade, ou com a brevidade, tornando, assim, minha vida uma eterna epifania.

Sérgio Soares

Deixe um comentário