Brancos, pretos, pardos, índios, negros, ameríndios, cafusos, mamelucos. De direita, de esquerda, centrão, centro-esquerda, centro-direita, renovadores, carismáticos, agnósticos, evangélicos, do Santo Daime ou do Santo Padre. modernistas, de vanguarda, vintage, cool, urbanos, roceiros, conectados e (des)conexos, brasileiros ou portugueses expatriados? Mas, afinal, quem é você, quem sou eu e quem somos nós?
Um número em uma cédula? Um registro no cartório? Um servo fiel ou mais um revoltado on line?
Neste mundo pós-moderno onde a sociedade nos cobra rótulos, onde somos definidos através dos códigos de barra e da biometria de nosso polegar, somos sufocados por uma enxurrada de siglas e legendas que nos oprimem, e cobram posicionamentos políticos, partidários, ideológicos, religiosos, afetivos e até esportivos.
Se você não torce pra um time de futebol, você não é viril, se não participa das decisões políticas de sua cidade, estado ou país é um alienado. Se frequenta a Igreja, um beato, se vai ao Baile Funk, um bandido, se curte pagode um malandro.
Rubem Alves em sua crônica entitulada “Esquecer para lembrar” narra a história de um homem que, após comprar uma casa, decide fazer uma reforma e começa pelas paredes. Ao começar o processo de raspagem da tinta velha e desbotada é surpreendido, pois, camada por camada, encontra uma cor nova, sobrepondo a anterior, e assim prossegue até chegar no veio original, o mais nobre e belo pinho de riga, escondido por detrás de anos de demâos que encobriram sua real essência.
Nossa vida é assim, um somatório de imagens e informações que somente fazem com que nos percamos nesse emaranhado de ideias, estrangeiras a nós, mas que foram depositadas na nossa história, nos transformando em seres sem essência e sem identidade, comandados por uma tecla de controle remoto que nos controla e nos diz onde ir, e como agir.
BASTA!
Eu decidi vencer todas as adversidades, encarar todos os medos, superar todos os traumas para buscar a real essência de mim, da minha vida – do feio, do escuro, do obtuso, do certo e errado, mas ainda assim daquilo que mais me faz ser ÚNICO e INCONFUNDÍVEL. E hoje sinto-me realizado, pois consigo olhar no espelho e reconhecer minha própria essência.
E VOCÊ? Vai ficar aí parado olhando o tempo passar? Afinal de contas, quem é VOCÊ??
Sérgio Soares