Conto do mundo perfeito

– Mãe, estou com sono, mas, não consigo ir dormir.

– E, por que não consegue ir dormir filha?

– Estou pensando nas coisas que vi hoje pela televisão. Nas pessoas brigando nas ruas em busca de direitos. Quais direitos são esses? Quem são esses políticos que tanto falam que não nos representam? Por que eles não nos representam? E o que significa esquerda e direita? Eu quero entender…

– Filha, que tal eu te contar uma história e, através dela, responder todas as suas perguntas?

– Gostei da ideia.

– Era uma vez um pequeno pastor. Ele cuidava de suas ovelhas como quem cuidava de si. Ele era um bom pastor, pois, um bom pastor pensa em suas ovelhas como, quem pensa em si. Ele as protege, cria e educa.

Essas ovelhas são bem adeptas a hábitos. E se você ensinares algo, elas aprenderão e, para não voltarem a repetir, é preciso ensinar novos hábitos.

E por saber disso, o pastor gostava de a cada dia ensinar novas coisas a cada uma de suas ovelhas. Cada uma tinha o seu nome específico e, eram bem obedientes. Inclusive, ainda que fossem bem parecidas, por exemplo, eram muito medrosas, tinham características próprias.

Por serem tão medrosas, as ovelhas assustam-se facilmente e ao mínimo sinal de perigo ou problema elas acabam pulando em precipícios. E quando, há uma ovelha muito rebelde e fujona no rebanho, o pastor costuma quebrar as pernas dela com um cajado.

Durante o processo de cura, o pastor carrega a ovelha em seu colo o tempo todo e lhe dedica uma atenção especial. E essa atenção faz com que a ovelha confie novamente em seu pastor e, não volte a fugir.

É preciso entender, minha filha, que um bom pastor não trata suas ovelhas como um mercado, pois ele não é um mercenário. E assim como um mercenário não é, um pastor. É importante entender essa diferença, pois, as ovelhas pertencem ao pastor e confiam nele, pois, sabem que na primeira recaída, ele saberá tomar as providências.

Elas confiam que o pastor trará segurança e paz, carinho e refúgio, alimento e cura. E ele as confia sua vida, sua permanência ali. Ele era um bom pastor e, como um bom pastor, permaneceria ali até o fim dos seus dias.

Depois de ouvir toda aquela história que chamou tanto sua atenção, a filha suspirou fundo, pensou em todas as coisas que estavam acontecendo no Brasil e disse. – Mãe, precisamos de um bom pastor.

– Sim filha. Alguém que nos proteja. Que nos dê segurança, estabilidade, paz. Que apesar dos nossos medos, nos dê a certeza de que dias melhores estão por vir. E que, embora haja tantas diferenças entre nós, consiga respeitá-las e adequá-las para o melhor de todos.

– E existe um bom pastor, mãe?

– Filha, eu não sei se existe um bom pastor, mas, eu sei que existem boas ovelhas.

É preciso entender que, o mundo no olhar de uma criança pode ser bem mais mágico do que um de um adulto, mas, isso não significa que não seja real. Não significa que não consigam compreender o que está acontecendo.

E ela entendeu que um bom pastor pode até ser o responsável pelo seu rebanho, mas, um rebanho inteiro é tão forte ou, até mais forte do que ele! Espero que, a nossa luta não seja apenas por bons pastores, mas, que possamos tentar ser boas ovelhas!

Deixe um comentário